quinta-feira, 5 de junho de 2008

Coi di locô


ao vivo
a cores
sabores
odores
medo
toques

tentações
provocações
um pecado

em movimento
te convencer

sem nada nem um tecido

só pele e pele
vontade

unha na carne
mordiscadas

nos lábios

todos
cair em tentação

deixa o sabor entrar
com calor
temperatura
gostoso
suor e arrepio
lambuzar

a boca mapeando

seu corpo

aos pouquinhos
decorada

na ponta da língua

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Faz parte do meu show.


Abri um olho, fiquei com o outro fechado, com a boca seca e um sabor amargo. Com quantas talagadas se faz uma ressaca, da minha parte se exibia somente a carcaça, carcomida pelo tempo em que só vício me alimenta, vê se aguenta os orgãos internos, sempre erro e continuo acertando a vida assim, são as gambiarras que me fazem feliz.

sábado, 31 de maio de 2008

jÁ ACONTECEU OU ESTÁ PRA ACONTECER OU VAI SABER

NO TOQUE DO TAMBOR BATE MEU CORAÇÃO FAZ CORRER NAS VEIAS ABERTAS UM SANGUE LATINO FEITO A CANÇÃO QUE CHEGA AOS OUVIDOS EM AMPLIDÃO SALVE O VOLUME DA CONVERSAÇÃO QUE EVITOU O CONFLITO SE NUM DER ARGUMENTO E UM OITÃO NO ÚLTIMO CASO POIS QUEM SACA TEM QUE ATIRAR A REALIDADE DA VIDA É CRUEL NÃO PODE PESTANEJAR DA MELHOR FORMA VOCÊ SEMPRE TENTA VIVER O PROBLEMA É QUE MESMO ASSIM CONTINUA SOBREVIVENDO DO LADO MAIS FRACO ARREBENTADO E SUPORTANDO O COTIDIANO ENCLAUSURADO NESTA CAMISA DE FORÇA SEJA MAIS VOCÊ MESMO PRESO NO LAMPEJO OUTROS PODEM LHE VER DO LADO DE CÁ ESCONDE-ME DEBAIXO DOS PANOS QUENTES POLIVALENTE INFELIZMENTE TÁ ME FALTANDO DENTES PRA TER FOME DE MASTIGAR UM FUTURO MELHOR EM QUALQUER LUGAR ONDE VOCÊ POSSA ESTÁR EU ESTOU VESTINDO BRANCO FEITO O VERDE DA ESPERANÇA DO REFLORESTAMENTO DA ALMA MENOS DOS QUE SE ACHAM MENOS DO QUE SE CALAM MAIS DOS QUE SE ARMAM DE ATITUDES VIRTUDES PLENITUDE NÃO ACHAR AQUI O SENTIDO DA VIDA A BRONCA OU CONVERSA QUE VAI TE FAZER MUDAR NESSA ALTURA DO CAMPEONATO JÁ ME DESPRENDO DE TUDO ATADO APENAS A VIDA NÃO ESPERA TÁ PASSANDO TÁ ROLANDO DESPENCANDO NO PRECIPICIO DO TEMPO E MEU ACABOU O PONTO FINAL CHEGOU.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Som Novo no Ar.

Bom dia, boa tarde e boa noite.
A semana começa muito bem, apesar de não existir uma mágica que decepe a segunda-feira, vamos que vamo que o som não pode parar, e por falar em som o ensaio de sábado do La Matilha rendeu. Gravamos duas pedradas e quem quiser conferir é só colar no:

http://www.myspace.com/lamatilha.

sábado, 17 de maio de 2008

se liga na parada

eu sei que você é curioso
sei que você não vai resistir
sei também que você vai pirar
neste vídeo aqui
entra ae e depois comenta
ou se num quiser comentar
vai na boa também
a dica veio do meu camarada Branquinho
que tá nas áreas da terra da garoa

http://br.youtube.com/watch?v=uuGaqLT-gO4&eurl=http://www.updateordie.com/

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tudo Nosso.


Foi dos bons, um raro samba fino, daqueles que levam ondas de prazer sonoro pra dentro dos ouvidos, parecia gingar ao som de Jorge Ben, menina bonita me fez ir além, do ponto que eu iria descer, continuo na sua casado no meu querer, união de metal no dedo da mão esquerda, depois dela minha vida ganhou um outro rumo, endireita. A levada do violão conduz os versos que mapeiam o seu corpo no ar, fez a minha cabeça, uma bomba de hiroshima. Te peço menina, nunca desvira, este encanto que lançou sobre mim, seja sempre assim, a metade que quando parte me deixa incompleto, 50% da porcetagem do meu ser, tá na poupança a longo prazo, rendendo o meu querer, a taxa de juros ta inflada, minha amada, é tudo nosso, a batida e a rima, eu sou o seu preto e você minha pretinha.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O mundo é um moinho.


Inda mais: havia Cartola. Era um alma boa, nascido e criado nas rodinhas, forjado no samba, pelo samba, na pureza, sem maiores embelecos. Pontificava havia já uns trinta anos. Tinha no espírito alguma coisa daquela renúncia rara da música pela música, coisa não aprendida em bancos escolares, e sem objetivos outros — viver na sua reserva de sonhos.


Compunha porque gostava. Isso era tudo. Como era da Manga compunha para a Mangueira. A escola saía à avenida, anos e anos, cantando ritmos de Cartola. Muita vez, o crioulo de nariz de couve-flor — a evidenciar um entornador de cachaça — foi premiado nos carnavais. Querido, cortejado, admirado no meio das escolas todas.


Bom, lá de dentro, lá no íntimo. Sensível, dolente, harmônico, humano, musical. Tinha uma linha melódica rica e própria, agradava em cheio. Diferente de um talento desnorteante como o de Nélson Cavaquinho, diferente do desvario e do ímpeto de Geraldo das Neves. São exemplos. Cartola sempre fez a sua coisa, independente e, assim, fazia a noite de qualquer um, com suas músicas contando seus casos, no rebolado da conversa jeitosa. Era nobre na sua singeleza. Vamos dizer. Suas peças teriam o fascínio deslizante e o desenho dos movimentos de um mestre-sala, quando em quando, em câmara lenta. E um papo e tanto, na batida calejada e nas implicações da malandragem.


Trecho do Conto: Zicartola - Recordações de uma Casa de Samba. Escrito pelo mestre João Antônio.

Ouvindo: Segure Tudo - Martinho da Vila.