sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Bora.


Disfarça
tem gente olhando
começa assim
a execução
de mais um plano
dechavado na esquina
da perdição
debaixo d'árvore
na plama da mão
dou trinta sessenta
noventa segundos
pro cheiro trazer
uma pá de neguim
pra cá
como é que faz
pra ficar chinês
é assim que
costumam perguntar
pro cês
pra mim
é que nem água
não se deve negar
mas se sujeito
num tiver procedimento
vai pra vala
não pestanejo em tirar
chega de papo furado
passo a bolar
enrolo com carinho
quem irá me levar
para uma dimensão mais ampla
do que se pode imaginar
tem espaço na roda
pode chegar
na ponta do pé
pra suspeita não levantar.
Ouvindo: Planet Hemp - Usuário - Não compre, plante.

Bebo por que é líquido.


Acorda vagabundo

pra cuspir

a ressaca de ontem

levanta da esteira

sacode a poeira

banha este corpo

parte pra outra

tira da boca

com pasta

o gosto da cachaça

e me faça o favor

de num reclamar

foi você

quem resolveu tomar

só mesmo

um tereré com boldo,

caferana e água trincando

pra ti

salvar

se é que algo poderia aliviar

um fígado que torce

para a cirose chegar.
Ouvindo: Jorge Ben - África Brasil - Ponta de lança africano.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Segunda divisão.


Dificulidades elevadas

ao máximo nível

jogaram nossa auto-estima

no lixo

o que é que isso

não precisa apelar

não vá subtrair

se tu num veio aqui

pra somar

tome o rumo de outro lugar

antes mesmo do time

entrar em campo

e para o meu total espanto

estamos derrotados

somos os mais vazados

do campeonato

sorte que pra cada gol sofrido

metemos mais cinco

pro nosso lado

só o talento haveria de salvar

quando o comando

demonstra imcompetência

não adianta reclamar

procure logo

outro time pra representar

meu passe está em aberto

leva quem pagar mais

meus comandantes

não são mais amigos

se tornaram rivais

endomarketing de mentira

não engana mais.



Poemeta sobre a atual situação da vida coorporativa do enquete que faço parte.



quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Poemeta


Morre lentamente

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...


Pablo Neruda


Esse ai é pros que pararam no tempo e acreditam ser donos da verdade.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Muito obrigado pela compreensão.


- Deixa eu experimentar a lupa aê truta? ... ei qual é tratante vai tirar a favela, descola essa porra aê senão eu te quebro no meio.Ficou muito estiloso o negão de óculos escuros, parecia algum ator de filme americano, seu rosto expressivo dispensa fala ou legenda, sua pele brilhava reluzente no sol das três da tarde.Junto a ele estava sua namorada, negra também só que em tom mais claro, mais alta que o negro atravessava a rua sem pressa em busca das moedas, arrastando as chinelas havaianas que teimavam em soltar as tiras, seus dedos estavam de fora na cabiam naquele espaço, tal qual, seu calcanhar.Eu estava na terceira cerveja quando os vi sentarem na mesa posta embaixo da árvore ali na calçada, acompanhados de mais um guardador, eles pediram três pratadas de feijoada, comeram como se fosse a última refeição do dia e a primeira também. Interrompiam a refeição à cada carro que saia, reservando a cobrança do encargo.Na vez do Negro um homem arrancou sem pagar nada, ele voltou para a mesa esbravejando com os braços, entre xingamentos e a promessa de que se mais um playboy filho da puta arrancasse com o carro seria atingido com uma pedrada no vidro. Mudei de lugar para obter uma melhor visão, fiquei torcendo para que alguém saísse com o carro sem pagar nada e, isso aconteceu três minutos depois.O negro assim como era esperado atirou a pedra no vidro do carro, em cinco minutos o camburão já havia chego, em quatro a base dos guardadores já estava desfeita, saíram como flecha arrastando as caixas-cama-espreguiçadeiras de papelão ao som de palmas que vinham das minhas mãos. O negro se virou e veio em minha direção, olhou bem na minha cara de felicidade e com os olhos mais puros que já vi, repetiu com firmeza a frase que ecoou como um palavrão: “Muito obrigado pela compreensão”.


Marco Cardoso

Eu Amo a minha preta.


Essa é pra quem nunca tinha visto a gente junto, vaaaaaai.
Cenário o Rio Sucuriu em Três Lagoas fronteira com SP.
Compondo o enredo o meu amor por você.
Ouvindo: Super Barrio Bros - Outro Instr

Poemeta

Refeição estragada.

Devora-me
em jejum
sou carpaccio
carne viva
o sabor a 36°
células interligadas
oxigênadas
rede orgânica
porém virtual
conectada ao mundo
por dois olhos
que enxergam
muito mal.


Marco Cardoso